Sextinas

S

Sextina,

Poema de forma fixa constituído por seis sextilhas e um terceto  em decassílabos. Na Sextina cada uma das últimas palavras dos versos da primeira se repete no fim dos versos das estrofes seguintes, mudando, porém de posição.

Entretanto, a mudança de posição deve obedecer a seguinte ordem:

Chamemos de 1. 2. 3. 4, 5 e 6 as palavras que finalizam os versos da primeira estrofe. Na segunda estrofe essas palavras devem aparecer assim: 6,  1,  5,  2,  4, 3 que, uma vez colocadas voltam a ser numeradas de 1 a 6 e formam a base para a terceira na qual, de novo são colocadas na ordem 6,1, 5, 2, 4, 3 e assim por diante nas sextilhas seguintes.

No terceto final, ou “Coda”, essas mesmas palavras devem aparecer duas no primeiro verso, duas no segundo e duas no terceiro, mas na mesma ordem em que se encontram na primeira estrofe e formando as tônicas dos versos.

Informações colhidas no Wikipédia.

Consegui escrever duas sextinas à guisa de exemplo

Não sei se a primeira, construída em Redondilha (heptassilabo), pode ser considerada Sextina uma vez que uma das regras é ter dez silabas, mas ao escrever “O Sorriso da Dama” não atentei para esse fato, Quis apenas mostrar, na prática, a colocação das rimas, ou palavras, que finalizam os versos das sextilhas e da coda.

vejam:

O Sorriso Da Dama

Deste meu pequeno mundo
lá, alem, no paraíso,
vejo tudo com que sonho,
tudo o que quero e preciso:
o olhar daquela Dama
e, dela, o belo sorriso.

o que dizer do sorriso
que ilumina o meu mundo?
Como enaltecer a Dama,
rainha do paraíso?
Como agarrar em meu sonho
o sonho de que preciso?

Sei, contudo, que preciso,
– para manter meu sorriso
e continuar meu sonho -,
transformar este meu mundo,
num pequeno paraíso
e, ao fim, concedê-lo à Dama

Mas saibam que aquela Dama
– sobre quem não sou preciso –
já tem o seu paraíso
e é dona de um sorriso
que é o sonho do meu mundo;
do mundo em que vivo e sonho.

Aquele sorriso é sonho
no rosto daquela Dama,
é o encanto do meu mundo
e, se quero ser preciso,
é o mais precioso sorriso
que existe no paraíso

Não é meu o paraíso…
Nem, também, é meu o sonho…
É meu somente o sorriso
que está no rosto da Dama.
De nada mais eu preciso
em meu pequenino mundo…

Nem de mundo ou paraíso,
nem de sonho eu preciso…
Tenho a Dama… e o sorriso,

Na segunda sextina que me foi possível escrever obedeci às regras que, segundo a Wikipédia, foram propostas por Arnaut Daniel que viveu no século XII,

Contudo, como sou um perguntador aproveito o espaço para perguntar  se há algo além da morte ou se o mundo em que vivemos terá fim.

Para a primeira a fé diz-me que sim, mas a razão diz-me que não  e, para a segunda, a razão diz-me que não porque, de acordo com alguns cientistas, o universo, com o mundo dentro dele, segue em ciclos e logo voltará a se comprimir num ovo cósmico para explodir em novo “Big-Bang”, portanto, em novo mundo, mas, se quisermos ficar com a fé, acreditemos no

Céu e Inferno

Quando morrer eu quero ir ao céu,
e, no Éden, estar em gozo eterno!
Bem longe, quero estar, do Purgatório
onde o penar, embora transitório
e bem menos custoso que no inferno,
deve, por certo, ser  num fogaréu.

Mas do Inferno, em meio ao fogaréu,
sonhar com as delícias lá do Céu
é o inferno dentro do Inferno
ou pior, bem pior, porque eterno!
Devo? Que o penar seja transitório!
Culpas? Quero expiar no Purgatório!

Sim, Senhor, já aceito o Purgatório,
– embora também seja um fogaréu -,
porque sei que é passo transitório,
é vereda segura para o Céu!
O Céu onde o deleite é eterno
e, claro, bem melhor que o Inferno.

Aterra-me, contudo, outro inferno
tão ruim ou pior que o Purgatório:
é saber que o deleite é eterno,
sem mudança, sem dor, sem fogaréu!
Como aguentar, por todo o sempre, um Céu
impecável, sem nada transitório?

Não que seja bom só o transitório
nem é ruim somente o Inferno
é que, se é mesmo imperfeito o Céu,
desnecessário é o Purgatório
e inútil também o fogaréu.
Culpas? Purguemos contemplando o eterno.

E se, em verdade, nada for eterno?
E se, de fato, tudo é transitório?
Será mentira então o fogaréu?
E mentira, também, o próprio inferno?
E invencionice ainda o purgatório?
Ou nos resta então algo sob o Céu?

Sim, sob o Céu, no Orbe não eterno,
tem Purgatório, Eden transitório,
Inferno e, vez em quando… “fogaréu”.

Sobre o autor

Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.

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Por Antonio Naddeo

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Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.