Esperando

E

Eu disse, e repito agora, que a poesia é o registro de um momento e “Esperando” não foge à essa regra. Marcamos um encontro, preparamo-nos com o que de melhor temos …

E em um desses…

Por falta de mão que amparo ofertasse… a taça tombou…
Colada na língua calou-se a palavra por não ter ouvinte.
Da taça quebrada, o vinho escorreu, se espalhou e secou…
Que fazer do desejo que bebe a sós na taça restante?
Que fazer de um debate que fica retido em um dos dois lados?
Que fazer das palavras que, por não ouvidas, retornam vazias?
Guardá-las na arca das coisas inúteis que nos acompanham?

Há algo de belo na taça em pedaços que jaz ao luar!
Há tons de tragédia no vinho que seco, por seco, tisnou.
Há um silêncio de paz no ardente debate que não se travou.
Há traços de vinho nos cacos da taça sem marcas de lábios.
Há lascas de luz nas estilhas purpúreas da taça partida.
Há sonhos que dizem: “Não morra esperança…
Não morra… Espera… “

Sobre o autor

Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.

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Por Antonio Naddeo

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Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.