Ow: princípios

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Aprendi com o Ow:

TER, COMO FOCO PERMANENTE, O “AQUI, AGORA”

Isso não significa que ignoremos passado e futuro. Significa que devemos estar atentos a tudo o que nos rodeia no momento, pois com essas referências, e mais nossas memórias, é que avaliamos as possibilidades futuras. Note que em “tudo” estão implícitos todos os sentidos, ou “sensores” como prefiro.

Importante ampliar nosso nível de Atenção para perceber, de maneira consciente, a luz, os movimentos, a temperatura, a textura, os odores e os ruídos que nos cercam e apreender seus significados.

Segundo alguns estudiosos nosso cérebro, para facilitar nossa vida, filtra, em frações de segundo, milhares de informações recebidas por nossos sensores, descarta-se da maioria por irrelevantes e prende o foco da nossa atenção em duas ou três que tenham a ver com as decisões a serem tomadas ou que, por razões de estética, de segurança ou de quaisquer outras ordens ele determina como relevantes.

Esse processo é “automático” e serve para preservar nossa sanidade mental, portanto, a desejada avaliação de tudo o que ocorre no aqui agora depende de um aprendizado que nos torne senhores daquele mecanismo.  Não é difícil, mas requer atento e permanente estudo de nos mesmos, de tudo o que ocorre conosco, de como respondemos a essas ocorrências e de como nos comportamos.

Em suma, estando continuamente atentos a todas as mensagens que nos são enviadas por nossos sensores teremos condições de agir, no aqui agora, com mais desembaraço e segurança.

TER CUIDADO COM A LINGUAGEM QUE USAMOS.

Ao longo de milênios aperfeiçoamos a fala e, com variações de tom e volume, expressões faciais, posicionamentos de corpo e gestos, transmitimos, com ela, quaisquer pensamentos que nos ocorram. Isso mostra a importância das palavras e seus significados. Lembro-me, a propósito, de uma frase-armadilha em que o proponente informa: “ Um navio brasileiro entrava, no porto, cinco navios estrangeiros”. E pergunta: “Qual o sentido dessa frase?”.

Ao sabermos que o verbo “entrava” é um derivado de “entravar” e não de “entrar”, compreenderemos o sentido da frase.

Na frase acima o termo “entrava” não é incorreto, mas sua ambiguidade prejudica a compreensão de quem o ouve porque o verbo entravar é muito menos usado do que o verbo “entrar” e, daí, a confusão prejudicial ao entendimento.

Buscar e empregar termos claros, nesse caso, levaria o proponente a utilizar palavras como: “obstrui”, “atrapalha”, “atravanca” e outras equivalentes se quisesse clareza no entendimento o que demonstra a necessidade de um vocabulário mais amplo.

Algumas brigas, batalhas ou guerras teriam sido evitadas se essa percepção fosse aplicada em situações geradoras de conflitos.

Portanto, procure entender o que está sendo exposto e tente se utilizar, ao explicar-se, de palavras ou frases que não sejam passíveis de criar dúvidas ou interpretações errôneas.

BUSCAR, PERMANENTEMENTE, SER LÓGICO.

E aqui um esclarecimento: muito do que hoje compreendo por “conceito” devo ao meu filho Ítalo que, em nossas conversas, esmera-se em explicar-me os valores que o termo abrange.

Se bem entendi, conceito é a Pedra Angular da compreensão e, por extensão, da lógica. Não há como estabelecer parâmetros sem que saibamos do que estamos tratando e esse “do que” tem sempre, como base, um conceito.

A compreensão desse princípio evitará que nos percamos nos meandros das comparações, das suposições, do silogismo e, por outro lado, nos dará algumas certezas quanto ao tema abordado.

Vemos então que, “buscar a lógica” significa estudar o conceito do objeto sobre o qual nos debruçamos e, a partir daí, teremos uma noção clara do objeto e de sua abrangência.

Não nos esqueçamos: Lógica e conceito são ferramentas e os artífices que se disponham a utilizá-las devem estudá-las,

Lembremo-nos ainda que Lógica é, em essência, a busca da verdade.

AGIR, NÃO REAGIR.

Podemos dizer, com pouca margem de erro, que a reação é, quase sempre, impensada. A capacidade instintiva de reagir é o que preserva a vida. Todavia, se essa capacidade nos mantém vivos pode, também, criar sérios embaraços em nosso convívio social.

Quem nunca se arrependeu de ter dito ou feito algo no calor de uma discussão? Ou de ter dito um palavrão quando uma palavra benevolente teria resolvido a encrenca?

Reagir em defesa da integridade física própria ou da de outrem é perfeitamente compreensível e até louvável, mas reagir com violência física ou verbal ante uma palavra de ofensa, ou ante uma atitude afrontosa, é ausência de autocontrole, é permitir que as emoções assumam o comando  de nossas ações.

Em que consiste a ofensa não física? Podemos responder com: É um ataque à nossa integridade moral.

No entanto o ataque não despertará reação, isto é, não será efetivo se tivermos certeza de nossa integridade moral. E como chegar a essa certeza? Examinando nosso conceito de moralidade. Se houver lógica entre esse conceito e nossa conduta não haverá ofensa que nos atinja e nos leve a “reagir”. Podemos então “agir” de modo civilizado.

ESCUTAR E VER MAIS DO QUE FALAR

Já disse alguém que: “Temos dois olhos, dois ouvidos e uma só boca e isso significa que devemos ver e ouvir duas vezes mais do que falar”.

Atenção: Ver não é apenas olhar. Ver é compreender o que está sendo visto e o mesmo se pode dizer de ouvir, cheirar ou tatear.

Os sons ambientes que nos rodeiam, tanto quanto as imagens, os odores e as sensações táteis, são portadores de mensagens que, se percebidas com atenção, podem advertir de possíveis perigos, propor caminhos a seguir, informar quais seres ou coisas estão próximos de nós e nos dar uma ideia aproximada de iminentes ocorrências e esses dados, quando avaliados com alguma segurança, permitirão que estejamos preparados para agir se e quando for necessário.

Sobre o autor

Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.

Por Antonio Naddeo

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Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.