O Pau D’Oleo

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O Pau D’Óleo

Hoje é um dia triste…
o Sol brilha num céu iluminadamente azul onde grandes e brancas pirâmides de nuvens flutuam parecendo desafiar à lei da gravidade… Mas é um dia triste…
Vozes infantis se elevam enchendo o ar de uma algazarra alegre…
e, no entanto, o dia é triste…
Porque o azul é conspurcado pela fumaça preta da moto serra…
Porque a alacridade infantil é mastigada pelo ronco sinistro da moto serra…
Cai o Pau D’Óleo, mas a serra não para, vai roendo o tronco e separando os galhos…
Um dia inteiro… Um dia apenas, e trinta… Quarenta anos, talvez, de paciente construção desabam. Desaparecem… Somem como se nunca houvessem existido…
A rua ficará mais clara… E mais silenciosa.
Onde irão pousar os pássaros cantores?
A moça poderá construir seu muro… Mas hoje é um dia triste…
Sábado, Treze de Fevereiro… Dia aziago para qualquer Pau D’Óleo que ouse nascer no lugar onde a moça “precisa” construir um muro.
Treze de Fevereiro… 1999… morre o Pau D’Óleo… Mas nasce um muro…! Um belo muro de alvenaria, com o topo lindamente adornado por uma iridescente carreira de pontiagudos pedaços de vidro.

Sobre o autor

Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.

Por Antonio Naddeo

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Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.