Felicidade

F

É um festivo bimbalhar de sinos,
um cristalino riso de criança,
o farfalhar de um traje feminino
ou os trejeitos da mulher que dança,

é um sorriso em lábios nacarinos,
o agitar brejeiro de uma trança,
sol se espalhando em raios matutinos,
olhos brilhantes por uma esperança,

é juventude, amor, é poesia,
é encantamento, é paz, é melodia,
é um desejo imenso de viver,

é estar ao lado da pessoa a amada,
é ter de tudo, mesmo sem ter nada,
é tudo isso… ou, simplesmente, SER.

Antonio Naddêo em BH
aos 12/09/68

Sessenta e oito? Doze de Setembro? Hum…. não me lembro.
Quase todas as poesias que escrevi são como páginas de um diário. São claras as lembranças de como e porque escrevi, mas, essa… é… não sei… doze de Setembro? Cinco dias após o décimo primeiro aniversário do Ítalo. Morávamos ainda no S. Lucas… Então escrevi isso na Tv mesmo. Eu devia estar por lá, coçando o saco, chorando por mim mesmo e tentando criar coragem para me mandar pra S. Paulo.
Mas porque raios de motivos eu estava tão feliz?
Por essa época eu estava fazendo, ou me preparando para fazer o filme, “Como Matar um Play-boy” dirigido pelo Carlos Hugo Christensen e havia uma promessa do Geraldo Teixeira da Costa. Iríamos, O Marco Antonio Rocha, a Gloria Lopes e eu para S. Paulo com uma carta dele dirigida ao Edmundo Monteiro, superintendente dos Diários e Emissora Associados de lá.
Fiz o filme – Como Matar um Play-Boy – de que, aliás, não gostei. Foi um dos meus piores trabalhos. Não sei se por falta de experiência, por inépcia, ou por não ser um bom ator, não consegui encarnar o frio e impiedoso cangaceiro exigido pelo belíssimo texto do Vianinha.  – foram quarenta e cinco dias de Rio de Janeiro – e depois fui para S. Paulo com aqueles dois colegas.
Fiz, na Tv Tupi de S. Paulo, duas novelas com Sergio Cardoso, Clayde Yaconis, Luis Gustavo, Ana Maria Dias e mais um punhado de atores dirigidos pelo Cassiano Gabus Mendes. Fiz também um grande teatro, “As Colunas do Templo” sob a direção do Benjamim Catan e, quando estava para pegar um papel em Antonio Maria, ao lado de Sergio Cardoso precisei vir para BH e não pude voltar….
Mas isso tudo veio depois, a poesia foi antes…
Bom, não me lembro.
Ora bem, quando eu me lembrar voltarei a falar do assunto.

Sobre o autor

Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.

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Antonio Naddeo

Há 68 anos, em 1950 surgia o ator, moldado até então pelas máquinas em uma indústria de cartonagem. Aos 16 anos passa a ser moldado pelo palco, pelos scripts e por uma incansável vontade de aprender.